Adelmir Santana, Presidente do Sistema Fecomércio-DF (Fecomércio, Sesc, Senac e Instituto Fecomércio)

Quando bandidos invadem a sede do governo do Distrito Federal, explodem caixas eletrônicos, efetuam disparos de fuzil, abandonam um carro em chamas e fogem com o dinheiro sem dificuldades, a sensação é a de que Brasília está entregue ao crime. Por mais que tenhamos uma polícia bem preparada e uma redução nos indicadores de criminalidade, a impressão é de insegurança. Outros fatos ocorridos recentemente reforçam esse sentimento. Assaltos à mão armada, execuções e tiroteios que culminam com a morte de crianças, como foi o caso de Maria Eduarda, em Ceilândia, demonstram a escalada da violência e, sobretudo, a ousadia e o destemor dos criminosos.

Esse atrevimento e até certa despreocupação dos bandidos é um produto da impunidade brasileira. A falta de punições adequadas permite que a bandidagem atue livremente e até encoraja aqueles que estão prestes a praticar um crime. Outro fator que estimula é a falta de ações ostensivas. É fato que a presença da polícia nas ruas, no comércio, em áreas de grande circulação de pessoas e em pontos considerados cruciais inibe a atuação dos criminosos. Essa é uma estratégia que o governo e as forças policiais não podem abrir mão. Outro fato que chama a atenção refere-se ao armamento pesado utilizado pelos ladrões, principalmente na explosão dos caixas eletrônicos no anexo do Palácio do Buriti.

Isso evidencia a ação de quadrilhas especializadas, possivelmente oriundas de outras regiões do Brasil. É preciso de inteligência e de ações coordenadas, inclusive, com polícias de outros estados. A violência precisa ser contida e os bandidos precisam temer a lei. Quando a sede do governo local sofre um atentado criminoso e nada acontece, não é apenas um banco que está sendo atacado, mas todo um símbolo de segurança e Poder. Se o próprio palácio é vulnerável, o que será então das residências e dos estabelecimentos comerciais da cidade? Não podemos virar reféns dos bandidos. O Estado não pode se curvar ao crime, em hipótese nenhuma.