Adelmir Santana, presidente do Sistema Fecomércio-DF (Fecomércio, Sesc, Senac e Instituto Fecomércio)

A escolha de um candidato precisa satisfazer o eleitorado e cumprir com a legislação, seguindo os preceitos éticos e morais existentes. Caso contrário, a democracia não funciona em sua plenitude. No Brasil dos dias de hoje, essa lógica parece ter se invertido. Muitos partidos políticos têm optado por nomes ou coligações que não representam seus eleitores, tampouco defendem as bandeiras de suas agremiações. Falam mais alto os interesses particulares ou mercantis. Isso resulta, na maioria das vezes, em uma crise de representatividade, enfraquecendo o sistema democrático e os próprios governos ou políticos eleitos.

O País convive hoje com pelos menos dois casos que ilustram bem essa realidade. Ano passado, durante a eleição para o governo do Amazonas, o número de eleitores que não compareceram às urnas no segundo turno, somado aos votos brancos e nulos, foi superior às votações recebidas pelo governador eleito e pelo candidato derrotado. Foram mais de 1 milhão de abstenções, brancos e nulos contra 782 mil votos do candidato eleito. Este ano, na eleição extemporânea para o governo do Tocantins, o mesmo aconteceu. No segundo turno, 527 mil eleitores votaram branco, nulo ou não compareceram às urnas. Os dois candidatos finalistas, somados, não conseguiram chegar a 500 mil votos.

Essa situação preocupa porque corremos o risco de ter um governante eleito que não represente a maioria dos eleitores. Diante dessa realidade, é preciso que as lideranças partidárias tenham consciência de não perpetuarem mecanismos de escolha oriundos da velha política, para que não tenhamos nomes que não agradem a ninguém. Os brasileiros querem, sobretudo, votar em candidatos honestos, capazes, que sejam bons gestores, que possuam experiência administrativa e que respeitem a população e suas diferenças. O desafio dos próprios postulantes é empolgar o eleitorado e convencer o cidadão de que, uma vez eleitos, eles farão o voto do brasileiro valer.

Publicado no Jornal de Brasília, 9 de Julho de 2018.