Execrar políticos não mudará a realidade brasileira. Se afastar da política tampouco. Se o cenário é desanimador, o caminho passa pela participação mais ativa nos debates e discussões, por um exame da biografia dos candidatos, pela cobrança de soluções viáveis para os problemas das cidades e por reivindicações coletivas para realmente chegarmos a transformações mais profundas. A ausência dos cidadãos do processo político apenas favorece a manutenção dessa crise de representatividade. Justamente por isso, a Federação do Comércio tem procurado apoiar projetos ou movimentos que estimulem a participação popular e a consciência dos eleitores.

Preocupa-nos a possibilidade de termos um pleito no qual predomine um alto índice de abstenções e votos nulos e brancos, conforme ocorreu nas eleições extemporâneas do Tocantins e do Amazonas, onde os governadores eleitos receberam menos votos do que a soma das manifestações de rejeição. É preciso lembrar também que se eximir da responsabilidade de escolher um candidato ou anular o voto não representa um protesto eficaz, à medida que a eleição não será anulada e outras pessoas estarão decidindo por todos. Da mesma maneira, eleger uma pessoa desqualificada para o cargo é outro equívoco. A história comprova que os brasileiros ainda votam mal.

Decidir com base em aparência, vantagens pessoais, fama ou promessas não são critérios aceitáveis. Não por acaso, após o pleito milhares de candidatos se mostram despreparados, incoerentes e, alguns, corruptos. A política brasileira está repleta de casos de políticos que foram parar atrás das grades. A única solução para o eleitor se resguardar dessa armadilha ainda é pesquisar muito, estudar as propostas e votar com responsabilidade. Mesmo que o Brasil vote no menos pior, isso já será um princípio de mudança. A verdadeira transformação, contudo, só ocorrerá quando todos nós começarmos a exercer a política verdadeira, a política em nome do bem comum.