A tragédia do Museu Nacional ainda arde, tamanha a catástrofe e a perda irreparável para a humanidade. Já o fogo, que reduziu séculos de história a pó, continuará a queimar enquanto não houver uma autocrítica e uma definição de prioridades. Chega a ser um ato de irresponsabilidade pensar nesse desastre e não voltar os olhos para a conservação de todos os outros museus e do restante do patrimônio histórico, artístico e cultural brasileiro. Como estão os nossos equipamentos hoje e o que estamos fazendo para conservá-los? São perguntas que todos os cidadãos e gestores deveriam estar fazendo neste momento.

Em Brasília, o secretário de Cultura veio a público, em uma atitude responsável, admitir que os museus da cidade sofrem uma cadeia de abandono histórico. Isso é incontestável e não é culpa deste ou daquele governo, mas da falta de uma percepção geral sobre o que é importante. O que nos leva a crer que talvez a culpa seja generalizada. O erro está em acreditar que investir em cultura, por exemplo, não é uma prioridade. Enquanto nós sabemos que é exatamente o contrário. Está mais do que comprovado o impacto positivo que atividades culturais e artísticas têm na educação, na economia, no turismo, na segurança e até na saúde da nossa população.

É necessário, assim, apontar o que é primordial: construir estádios ou investir no básico? Também precisamos estabelecer planos e ações. O Estado não foi capaz, até aqui, de gerir seus equipamentos. O Museu de Arte de Brasília está fechado desde 2007. O Teatro Nacional não abre suas portas desde 2014, só para citar alguns. Não seria o caso, portanto, de passar a direção dessas instituições para fundações independentes, que possam receber recursos privados? Em Brasília, isso é ainda mais grave porque toda a cidade está tombada. Se riscarmos umfósforo, milhares de outros museus pegarão fogo. O incêndio do Museu Nacional só acabará quando mudarmos a nossa visão sobre patrimônio.