Adelmir Santana é presidente do Sistema Fecomércio-DF (Fecomércio, Sesc, Senac e Instituto Fecomércio)

Fazer uma profunda revisão sobre os modais de transporte existentes no Distrito Federal é uma tarefa urgente. A capital da República é uma cidade nova, mas com aspecto de velha e que convive com falhas estruturais. É preciso que os candidatos ao governo local assumam o compromisso de resolver o problema de locomoção. É inaceitável que Brasília esteja, por exemplo, na lista dos dez piores sistemas de transporte coletivos do mundo, conforme pesquisa recente do instituto norte-americano Expert Market. Ao invés de criticar o levantamento, falta assumir os erros e apresentar soluções. Projetos emergenciais não resolverão os congestionamentos futuros. Precisamos de ações planejadas.

Com quase 1,5 milhão de condutores habilitados, o DF já tem mais carros do que motoristas. Obviamente, essa realidade impõe desafios, mas os obstáculos não são intransponíveis. Temos exemplos de sucesso vindos da Ásia e da Europa. Lá eles investem em ciclovias, metrô, veículo leve sobre trilhos (VLT), veículo leve sobre pneus e trens de alta velocidade. São boas alternativas. Muitas já foram estudadas e apresentadas para Brasília. É necessário revisar esses estudos e aplicar o que for necessário, tirando os projetos do papel. Priorizando os trilhos, o Estado não apenas facilita a vida do cidadão, como também desenvolve o transporte e a economia.

No que se refere especificamente ao transporte de passageiros, é urgente que se faça a expansão do metrô para os principais pontos do Distrito Federal. Já se fala, há anos, de construir estações no eixo Norte, algo que nunca foi feito. Ampliando as linhas, o sistema teria maior viabilidade econômica. O problema é querer tapar o sol com a peneira. Enquanto continuarmos a investir apenas em rodovias, a situação somente irá se agravar. Os gestores não podem apenas reclamar do fato de termos um dos piores sistemas de transporte do mundo. Quem tem dificuldade mesmo é a população, que precisa conviver diariamente com esse sofrimento.