Eles florescem silenciosamente. Embelezam quadras, ruas, estacionamentos, avenidas e parques. Também são temas de crônicas, canções e livros. Tanto encanto não poderia deixar de ser motivo de inspiração para a nossa capital federal. Com toda essa identidade, se tornaram uma marca registrada de nossa cidade. Eu estou falando dos ipês. A cada inverno disfarçado de primavera essas árvores nos trazem cores e buquês para o olhar. De tonalidades reluzentes, lembram metaforicamente o amarelo do ouro, o branco da prata, o roxo da ametista e o rosa do quartzo. São as verdadeiras joias de Brasília.

Uma aquarela natural que precisa ser incentivada e preservada. Qual pintura é capaz de colorir com tanta delicadeza e sutileza uma cidade senão um pé de ipê? Já são mais de 600 mil exemplares espalhados pelo Distrito Federal. Eles praticamente preparam o terreno para uma foto espetacular, sem edição, ou para uma sombra fresca, refúgio de famílias e casais apaixonados. Sob seus galhos vivem abelhas que se alimentam de um néctar poderoso e pássaros que encontram em seus braços uma fonte de abrigo e proteção. Sua majestade nos ensina que há tempo para florir e tempo para amadurecer. Florescem durante o período seco e frio. Com a chegada da chuva, se recolhem para o descanso.

Fica a lição do tempo, um aprendizado que muitas vezes nós não percebemos. É uma pressa constante que não nos deixa observar as coisas ao redor. Para quem anda tão rápido, é bom saber que a natureza é paciente e, com toda sua sabedoria, está estruturada em ciclos. Os ipês nos lembram da importância de viver e admirar o presente. Tempo de dar uma pausa para enxergar a vida. Seja no Eixão movimentado, seja em alguma quadra residencial, a verdade é que os ipês sempre nos surpreendem, renascendo quando menos se espera. Para mim, essa é uma das principais atrações turísticas de uma cidade que não vive só de política, também vive de natureza. Uma cidade colorida por ipês.