Passadas as convenções partidárias, o que predominou na composição das alianças políticas foi, mais uma vez, a expectativa e a busca por espaços de poder. Como era esperado, os candidatos ao governo do Distrito Federal se preocuparam em conseguir a maior fatia do fundo eleitoral e o maior tempo de rádio e televisão. Com raríssimas exceções, não tem como apontar uma coligação que tenha sido formada com base em ideologias comuns, programas de governo mútuos ou interesses sociais coletivos. Novamente, uniram-se alhos com bugalhos no caldeirão eleitoral. E com pitadas de marketing, os pratos serão servidos para a população como se fizessem parte de uma receita inovadora.

Obviamente, nada é mais insosso do que esse cozido da velha política. Ele começou a ser preparado no meio do ano passado, quando os congressistas brasileiros aprovaram uma reforma política de faz de conta. Foi uma peça de ficção porque ao invés de criar medidas capazes de combater a corrupção, tornar o processo eleitoral mais democrático e ampliar os poderes dos eleitores, a reforma se concentrou em privilegiar quem já estava no poder. Tanto que as mudanças se concentraram em criar um fundo de campanha no qual os partidos com mais representantes eleitos teriam acesso à maior parte do bolo. Reforma aprovada, as alianças se deram em torno de maximizar recursos financeiros e não em prol de ideias.

Assim, em uma campanha de verbas escassas e exposições limitadas, formar uma coligação forte se tornou quase uma obsessão ou meta de sobrevivência para os candidatos e partidos tradicionais. O problema é que a população não ficou satisfeita com o cardápio apresentado. As opções são vastas, mas muito pouco representativas da renovação que o eleitor deseja. A sociedade esperava por uma expectativa real de mudança na forma de se fazer política. Como ela não veio e a julgar pelas variáveis já expostas, parece que no final das contas, o eleitor terá mesmo que engolir o menos pior.